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Antº Augusto Gomes da Silva

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November 05

Gen Rosso - Perchè ti amo

   
October 26

Fantástico

  
October 24

Solidão partilhada

Escuro brilho
que luz absorve
doce tristeza
terno olhar percorre
letargia que desafia
apatia que em nós morre
negro que alumia
fraqueza que impele
revolta da rebeldia
que me faz sentir na pele
que no sofrimento sofro
com o melhor do coração
tua vida, tua (com) paixão.
October 21

Teste

Atesto quem testa
se pela testa
passou o que se testa
num desafiante testamento
fruto do pensamento
expresso num teste
que testa
o que verdadeiramente
se atesta
como verdadeiro
1.. 2.. experiência?
Testando?
October 07

Objectivismo ou Subjectivismo Moral?

Trabalho para os alunos do secundário:
1. «Se não está na lei, é porque posso fazer.»
2. «Faz isto, porque Deus quer.»
3. «Em França, fiz isto, mas aqui todos iriam olhar para mim.»
4. «Na tribo X, faz-se assim. Por isso, também podemos fazer.»
5. «Não te importes de mentir, desde que as consequências dessa mentira sejam boas.»
6. «Não, não abdico disso. É sagrado.»
7. «Ok. Tu pensas assim, mas eu penso de outra maneira, por isso, vou fazer.»
8. «Oitenta por cento dos jovens concordam. Por isso, também quero.»
9. «É assim a lei da vida. Temos que obedecer-lhe.»
10. «Não tens alternativa. Faças o que fizeres, és livre.»
11. «Já viste como faziam os Egípcios? Como era possível?»
12. «Faz isso, porque é útil para todos.»
September 28

O dilema (Para o 10ºano)

Diariamente vivo com intensidade um dos grandes dilemas morais: dar ou não dar esmola?

Não há dia em que, a caminho do trabalho, não me peçam esmola. Não há dia em que não pense se ajo bem ao recusar, ao manter um silêncio de túmulo.

Jesus Cristo não recusaria. Que expedientes divisa a minha alma para impedir o gesto bondoso?

Em primeiro lugar, o pragmatismo: se der constantemente, em breve estarei eu na rua, necessitada de auxílio. Não parece fazer muito sentido, porque os ensinamentos cristãos vão precisamente no sentido desse despojamento total de todos os pertences. Eu sinto a urgência desse abandono a latejar no coração. Sinto, profundamente, que devo dar a todos quantos me solicitam.

Em segundo lugar, surge a questão da justiça: muitas daquelas pessoas que se abandonam à mendicidade têm hipótese de trabalhar, têm possibilidade de lutar pela sobrevivência, através de meios mais construtivos e dignificantes. Por que razão terei eu de as sustentar, perigando com isso o bem sagrado da minha família e da minha própria vida? O coração continua a dizer-me que deverei dar.

Em terceiro e último lugar, o argumento do mau exemplo: permitir que alguns vivam da esmola (porque a esmola é dada indiferentemente a quem a pede) não conduzirá à sedução da vida fácil? Não estaremos nós, cristãos absortos na vontade divina, a criar um gigantesco problema social, encorajando a dependência do trabalho alheio? E outra vez a voz fala cá dentro: «Dá a quem te pedir». Que razões poderão existir que te impeçam de dar a quem pede? Não olhes à mão que se estende perante ti.

É assim todos os dias. No metro, quando vejo os cegos e as idosas que apelam à nossa bondade e caridade, transfiguro-me num concerto de vozes dissonantes. Não sei se o olhar me trai. Mas, embora não contribua com metal para o seu viver, tento sempre encará-los de frente e sorrir-lhes com amor. Bastar-lhes-á isto? Tenho a maior das dúvidas, e continuo a pensar.

Joana [retirado do, blogue Jóia de Família, 6 de Maio 2007]

 

Proposta de actividade:

1. Identifica o dilema que a autora do texto vive diariamente.

2. Quais as razões que apontam para cada um dos lados da questão?

3. Quais são os dilemas das pessoas da tua idade?

3.1. Enuncia-os.

3.2. Escolhe um deles e regista as razões que reforçam cada um dos lados da questão.

4. Quando é difícil decidir, o que poderemos fazer? Aponta três ideias sobre como agir perante situações de dilema.

September 23

às escondidas... (para os meus alunos)

"Contam que uma vez se reuniram todos os sentimentos e qualidades dos homens, algures na terra. Quando o ABORRECIMENTO tinha reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre muito louca, propôs:

- Vamos brincar às escondidas?

A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE sem poder conter-se perguntou:

- Jogar às escondidas? Como é isso?

- É um jogo – explicou a LOUCURA – em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vós vos escondeis, e, quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.

O ENTUSIASMO dançou seguido pela EUFORIA.

A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou por convencer a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos quiseram participar: a VERDADE preferiu não se esconder.

"Para quê, se no final todos me encontram?" - pensou.

A SOBERBA opinou que era um jogo muito tonto (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela) e a COBARDIA preferiu não se arriscar.

- Um, dois, três, quatro, ... - Começou a contar a LOUCURA.

A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que, como sempre, caiu atrás da primeira pedra no caminho. A FÉ subiu ao céu e a INVEJA escondeu-se atrás da sombra do TRIUNFO que, com seu próprio esforço, tinha conseguido subir à copa da árvore mais alta. A GENEROSIDADE quase não conseguiu esconder-se, pois cada local que encontrava parecia-lhe perfeito para algum dos seus amigos: se era um lago cristalino, era ideal para a BELEZA; se era a copa de uma árvore, era perfeito para a TIMIDEZ; se era o voo duma borboleta, era o melhor para VOLÚPIA; se era uma rajada de vento, era magnífico para a LIBERDADE. E assim acabou escondendo-se num raio de sol.

O EGOÍSMO, pelo contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cómodo, mas apenas para ele. A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira! na realidade escondeu-se atrás do arco-íris). A PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões. O ESQUECIMENTO... não me recordo onde se escondeu mas isso não é o mais importante...

Quando a LOUCURA já estava lá pelos 999.999, o AMOR ainda não havia encontrado um lugar para se esconder, pois já estavam todos ocupados, até que encontrou uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre suas flores.

- Um milhão! - terminou de contar a LOUCURA e começou a busca.

A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos duma pedra. Depois, escutou-se a FÉ discutindo zoologia com DEUS no céu. Sentiu-se vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões. Num descuido, encontrou a INVEJA e claro, pôde deduzir onde estava o TRIUNFO. O EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo. Ele saiu sozinho do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas. De tanto caminhar, a LOUCURA sentiu sede e ao aproximar do lago, descobriu a BELEZA. A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois estava sentada sobre uma cerca sem saber de que lado esconder-se... E assim foi encontrando a todos: o TALENTO entre as ervas frescas, a ANGÚSTIA numa cova escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira! na verdade estava no fundo do oceano) e até o ESQUECIMENTO, que já se tinha esquecido que estava a brincar às escondidas.

Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local... A LOUCURA procurou debaixo de cada rocha do planeta, atrás de cada árvore, em cima de cada montanha... Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a remover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou um grito de DOR. Os espinhos tinham ferido o AMOR nos olhos. A LOUCURA não sabia o que fazer para se desculpar. Chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser a sua guia eternamente... Desde então, desde que pela primeira vez se brincou às escondidas na Terra: O AMOR é cego e vai sempre acompanhado pela LOUCURA.

September 22

Amigos (Vinicius de Moraes)

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam - ou talvez nunca vão saber - que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

September 16

Caminhos Cruzados

Composição: Tom Jobim / Newton Mendonça
Quando um coração que está cansado de sofrer,
encontra um coração também cansado de sofrer,
é tempo de se pensar
que o amor pode de repente chegar.
Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém,
e esse outro alguém não entender,
deixa esse novo amor chegar,
mesmo que depois seja imprescindível chorar.
Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
nas coisas do amor que ninguém pode explicar!
Vem, nós dois vamos tentar...
Só um novo amor pode a saudade apagar.
 
July 24

De peito rasgado e alma confiante

É com o peito rasgado que choro

Rasgado pela recente saudade

Rasgado pela presenciada compaixão

Rasgado pela dor de quem amo

E com alma confiante rasgo o choro

Porque confio no amor de Quem adoro

Porque confio que a Vida é superior

A tudo o que há em meu redor.

E é a tua mão que desejo

Que me afague o rasgado peito

E aumente essa alma que confia

Na sublime vitória do Amor.

  

 

July 14

Rodrigo Leão & Beth Gibbons – Lonely Carousel

It's a look this game we play

We can't escape, we have to attend

It's life you see.

When i have tried to amuse myself

To celebrate the fun fair

The pleasures i seek are far too discreet for me

And all the time the world unwinds

I can't deny the way i feel

The truth is lost beyond this lonely carousel

And all these words, they mean nothing at all

Just a cruel remedy, a strange tragedy of what will be

 

After i tried to discover the answers to why

To look for a meaning inside of this dreaming i had

And words that i've said are spinning 'round

Would sing alone inside my head

Nothing will change, it's always the same

Please make it stop

And all the time the world unwinds

I can't deny the way i feel

The truth is lost beyond this lonely carousel

And all these words, they mean nothing at all

Just a cruel remedy, a strange tragedy of what will be

And all the time the world unwinds

I can't deny the way i feel

The truth is lost beyond this carousel.

 

July 13

Deolinda - Clandestino

Fantástico concerto em Ovar:
 

a noite vinha fria, negras sombras a rondavam

era meia-noite e o meu amor tardava

a nossa casa, a nossa vida foi de novo revirada

à meia-noite, o meu amor não estava

ai, eu não sei aonde ele está, se à nossa casa voltará

foi esse o nosso compromisso

e acaso nos tocar o azar, o combinado é não esperar

que o nosso amor é clandestino

com o bebé, escondida, quis lá eu saber, esperei

era meia-noite e o meu amor tardava

e arranhada pelas silvas, sei lá eu o que desejei:

não voltar nunca... amantes, outra casa...

e quando ele por fim chegou, trazia flores que apanhou

e um brinquedo pró menino

e quando a guarda apontou, fui eu quem o abraçou

o nosso amor é clandestino.

 

July 02

Casa de Hóspedes (Sufi Rümi)

Isto de ser humano é como uma casa de hóspedes
todas as manhãs uma nova chegada
uma alegria, uma depressão, uma maldade,
alguma consciência súbita que surge
como uma visita inesperada.
Dêem-lhes as boas-vindas e divirtam-nas!
mesmo que sejam uma multidão de lamentos,
que nos varrem subitamente a casa
despojada da sua mobília,
continuem a homenagear cada convidado.
Ele pode estar a prepará-lo para alguma nova maravilha.
Ao pensamento obscuro, à falsidade, à malícia,
recebam-nos à porta com um sorriso,
e convidem-nos a entrar.
Fiquem gratos por quem quer que entre,
porque todos foram enviados
como um guia do além.
June 29

Caetano Veloso - Mimar Você

Te quero só pra mim

Você mora em meu coração

Não me deixe só aqui

esperando mais um verão

Te espero meu bem

Pra gente se amar de novo

Mimar você

Nas quatro estações

Relembrar

O tempo que passamos juntos

Bem bom viver

Andar de mãos dadas

Na beira da praia

Por esse momento

Eu sempre esperei

 

June 21

Mayra Andrade - Morena, menina linda

Hoje eu vim aqui só para te ver menina

Morena linda da pele de âmbar

Dos olhos negros como a noite densa

Cabelos soltos a dançar no ar

 

Hoje vens vestida com a cor da lua

Menina estrela tens no teu colar

Um sol, no rosto um sorriso puro

Um passo firme a descobrir teu mundo

 

Morena eu vim trazer tua juventude

Menina eu vim para te fazer entender

Que a vida traça o seu próprio plano

Me dá tua mão morena, vem viver

 

Mulher, da torre dos teus vinte e um anos

Sinto a tua sede de se libertar

Morena eu vim pra te fazer criança

Mulher eu vim pra te fazer brincar

 

Hoje o dia amanheceu tão triste

Morena parto, coração em luto

Menina tanto que me aperta o peito

De ver o nosso amor assim desfeito

 

Hoje vens vestida com a cor do vento

Menina morna tens no teu olhar

Um céu de chumbo e na voz o canto

Lamento lento a embalar teu pranto

 

Eu vim pra te fazer pensar menina

Morena eu vim aqui pra te mostrar

Que tuas certezas podem ser enganos

Me dá tua mão morena e vem amar

 

Menina eu vim só para te dizer te quero

Morena eu vim pra te fazer sonhar

Morena moça vim dizer te amo

Menina eu vim pra te fazer mulher

 

Praça da Partilha

Um espaço aberto aos outros

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Uma playlist com 3 músicas:

 

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